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RN tem 37,6 mil pessoas com autismo e alta nos diagnósticos amplia demanda por atendimento especializado

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    Redação
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura
Autismo no RN atinge 37.625 pessoas com TEA segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE
Dados do IBGE apontam 37.625 pessoas com autismo no RN e ampliam debate sobre diagnóstico e atendimento especializado.

Dados do Censo 2022 mostram que o estado tem 37.625 pessoas com TEA; avanço é associado à maior conscientização, acesso à avaliação e identificação precoce.


O Rio Grande do Norte tem 37.625 pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025. Em Natal, o levantamento aponta 10.518 pessoas com TEA.


Os números sobre autismo no RN reforçam um cenário que vem ganhando cada vez mais atenção de famílias, profissionais de saúde, escolas e instituições especializadas: o crescimento da procura por diagnóstico, terapias, acompanhamento contínuo e intervenções adequadas para crianças, adolescentes e adultos dentro do espectro.


Esta foi a primeira vez que o Censo Demográfico trouxe informações específicas sobre pessoas com autismo no Brasil. Em todo o país, foram identificadas 2,4 milhões de pessoas com TEA, o equivalente a 1,2% da população. O levantamento também indicou maior prevalência entre homens, com 1,5%, em comparação às mulheres, com 0,9%, além de incidência mais elevada entre crianças, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos.


Para especialistas da área do neurodesenvolvimento, o aumento dos diagnósticos não significa, necessariamente, que o número de pessoas autistas tenha crescido na mesma proporção. O avanço está relacionado, principalmente, à maior conscientização da sociedade, ao acesso ampliado a avaliações especializadas e à evolução dos critérios clínicos utilizados para identificar o TEA.


“O avanço dos diagnósticos de autismo representa uma mudança importante na forma como a sociedade compreende o neurodesenvolvimento. Hoje temos mais informação, mais acesso à avaliação especializada e maior conscientização das famílias. O desafio agora é garantir que esse aumento da demanda seja acompanhado por estruturas de atendimento capazes de oferecer intervenções de qualidade e apoio contínuo às famílias”, destaca Joice Melo, CEO de instituição especializada.


Maior acesso ajuda a identificar casos antes invisibilizados


Com a ampliação do entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista, casos que antes passavam despercebidos passaram a ser identificados com mais frequência. A compreensão do TEA como um espectro permitiu reconhecer diferentes formas de manifestação, incluindo quadros menos evidentes, que por muitos anos foram confundidos com timidez, dificuldades de aprendizagem, alterações comportamentais ou características individuais.


Entre os sinais que costumam levar famílias a buscar avaliação estão atraso na fala, dificuldades de interação social, alterações sensoriais, comportamentos repetitivos, seletividade alimentar, resistência a mudanças de rotina e desafios na comunicação.


A conscientização também tem provocado mudanças nas escolas e nos serviços de saúde. Educadores, familiares e profissionais passaram a observar com mais atenção os sinais do neurodesenvolvimento, favorecendo a busca por diagnóstico precoce e intervenções ainda na infância.


Ao mesmo tempo, o avanço das informações sobre o tema tem levado muitos adultos a procurarem avaliação após anos sem diagnóstico. Em vários casos, essas pessoas passaram a compreender dificuldades vividas desde a infância somente depois de terem contato com informações sobre o espectro autista.


Diagnóstico amplia necessidade de rede de cuidado


O crescimento dos diagnósticos de TEA no Brasil e no Rio Grande do Norte amplia a necessidade de uma rede de atendimento preparada para acolher pessoas autistas e suas famílias. Além da avaliação clínica, o acompanhamento pode envolver diferentes áreas, como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, neurologia, psiquiatria e suporte educacional.


Especialistas defendem que o diagnóstico deve ser acompanhado de orientação adequada, acolhimento familiar e planejamento terapêutico individualizado. A identificação do autismo é apenas uma etapa do processo. Depois dela, é necessário garantir acesso a intervenções de qualidade, apoio escolar, inclusão social e acompanhamento contínuo.


Embora fatores genéticos sigam sendo estudados pela comunidade científica, o crescimento dos diagnósticos tem sido associado, sobretudo, à ampliação das informações sobre o transtorno, ao aperfeiçoamento dos critérios de avaliação e ao maior acesso aos serviços especializados.


No Rio Grande do Norte, os dados do IBGE ajudam a dimensionar a realidade das famílias que convivem com o TEA e reforçam a importância de políticas públicas, serviços especializados e iniciativas que promovam inclusão, desenvolvimento e qualidade de vida para pessoas autistas.

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