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Casos de ciguatera disparam 60% no RN; veja os sintomas e como identificar a intoxicação

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    Redação
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Casos de ciguatera no RN aumentam 60% e Sesap alerta para sintomas da intoxicação por peixe
Sesap aponta 141 registros até 11 de junho de 2026, com maior concentração em Natal, e alerta que a toxina não altera o cheiro, o sabor ou a aparência do pescado.

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu um alerta diante do avanço dos casos de ciguatera no RN, intoxicação alimentar associada ao consumo de peixes contaminados por ciguatoxinas. Até 11 de junho de 2026, o estado contabilizou 141 casos, número 60,2% superior aos 88 registros de todo o ano de 2025.


O monitoramento é conduzido pela Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (Suvige). Desde 2022, o Rio Grande do Norte soma 259 notificações distribuídas em 46 surtos. O levantamento também registra dois óbitos relacionados à intoxicação no período.

A ciguatera é provocada pelo consumo de peixes que acumularam ciguatoxinas ao longo da cadeia alimentar marinha. O problema é que o pescado contaminado pode apresentar cheiro, cor, sabor e aparência normais. A toxina também não é destruída pelo cozimento ou pelo congelamento, o que impede que o consumidor reconheça o risco apenas observando ou preparando o alimento.


Natal concentra mais da metade das notificações

Natal concentra 52,21% dos registros identificados no levantamento. Em seguida aparecem Touros, com 24,78%, e Ceará-Mirim, com 12,39%. Também foram notificados casos em Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.

A maioria das intoxicações ocorreu após o consumo de pescado dentro de residências. Aproximadamente 64% dos casos foram associados ao consumo doméstico, enquanto 36% ocorreram em estabelecimentos comerciais, como restaurantes.

Sintomas da ciguatera podem surgir em até 48 horas


Os sintomas podem aparecer poucos minutos depois do consumo ou somente nas horas seguintes, podendo se manifestar em até 48 horas. O quadro pode envolver sinais gastrointestinais, neurológicos e, nas situações mais graves, alterações cardiovasculares.

Entre os sintomas mais relatados estão:

  • dor abdominal;

  • náuseas, vômitos e diarreia;

  • coceira intensa;

  • dormência ou formigamento na língua, no rosto e nas extremidades;

  • fraqueza, tontura e fadiga;

  • dores pelo corpo;

  • gosto metálico na boca;

  • alteração da percepção de temperatura, quando algo frio parece quente ou o quente é percebido como frio.


Em quadros mais graves, a intoxicação pode provocar queda da pressão arterial, redução dos batimentos cardíacos e comprometimento neurológico. Pessoas que apresentarem sintomas depois de consumir pescado devem procurar atendimento de saúde e informar qual peixe foi ingerido, onde foi adquirido e se outras pessoas que participaram da refeição também passaram mal.


Peixes mais associados aos casos no RN


A bicuda, também conhecida como barracuda, aparece como a espécie mais relacionada aos casos confirmados no estado, representando 45,13% dos registros analisados. Na sequência estão a arabaiana, com 24,78%, e o dourado, com 11,5%.

Também foram mencionadas no monitoramento:

  • cioba: 4,42%;

  • pescada-branca: 3,54%;

  • galo-do-alto: 3,54%;

  • pargo;

  • sirigado ou robalo.


A associação dessas espécies aos casos não significa que todo peixe dessas variedades esteja contaminado. O risco depende da presença e do acúmulo da toxina no pescado consumido.


É possível identificar um peixe contaminado?


Não é possível reconhecer a presença da ciguatoxina apenas pelo cheiro, pela aparência ou pelo sabor do pescado. O peixe pode parecer fresco e normal, e métodos domésticos de preparação, como cozinhar, fritar ou congelar, não eliminam a toxina.


Por isso, a principal orientação é adquirir pescados de estabelecimentos e fornecedores regularizados, conhecer a procedência do produto e evitar o consumo quando houver dúvida sobre a origem ou a conservação.


Caso mais de uma pessoa apresente sintomas após compartilhar a mesma refeição, a suspeita deve ser informada ao serviço de saúde. Dados como espécie do peixe, estabelecimento de compra, data do consumo e quantidade ingerida podem ajudar na investigação epidemiológica.


Dados precisam ser interpretados com cautela


O levantamento divulgado informa 259 notificações desde 2022. Entretanto, as categorias detalhadas publicamente, com 113 casos confirmados, 89 em investigação, sete isolados e 13 descartados, somam 222 registros. Como a divulgação consultada não esclarece a classificação dos 37 registros restantes, o mais seguro é manter no texto apenas o total geral e as categorias expressamente informadas, sem apresentar esse detalhamento como uma divisão completa das notificações.


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