Cirurgia bariátrica vai além do emagrecimento e atua no controle de doenças ligadas à obesidade
- Redação
- há 31 minutos
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Procedimento é indicado para combater a obesidade como doença crônica e pode impactar no tratamento de diabetes, pressão alta e fertilidade

A cirurgia bariátrica e metabólica é um procedimento médico indicado para o tratamento da obesidade e não deve ser associada apenas à perda de peso. No Brasil, onde mais de 30% da população adulta vive com obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde, a intervenção tem sido utilizada como ferramenta terapêutica para o controle de doenças crônicas associadas ao excesso de gordura corporal. Em hospitais de alta complexidade, como o Hospital Mater Dei Goiânia, o procedimento integra linhas de cuidado voltadas ao tratamento da obesidade e de suas comorbidades.
O médico Thiago Becker, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Mater Dei Goiânia, destaca que a perda de peso é uma consequência da cirurgia bariátrica e metabólica, entretanto o grande objetivo do procedimento é controlar as doenças que estão associadas à obesidade, garantir melhor qualidade de vida ao paciente e aumentar sua expectativa de vida.
O médico explica que os números do peso continuam sendo monitorados, mas não representam, sozinhos, o sucesso do procedimento. “Os números na balança são importantes, mas o maior objetivo é o controle da obesidade e dos problemas de saúde associados”, afirma.
A obesidade está diretamente relacionada a uma série de comorbidades que afetam a vida de milhares de pessoas, comprometendo a qualidade de vida. No Brasil, ela é considerada um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que seguem entre as principais causas de morte no país, representando aproximadamente 30% de todas as mortes, o que soma cerca de 400 mil óbitos anuais.
Neste cenário, a cirurgia bariátrica aparece como alternativa para pacientes que não respondem de forma eficaz a tratamentos clínicos convencionais, especialmente quando realizada em centros hospitalares com estrutura multidisciplinar, como o Hospital Mater Dei Goiânia.
Entre as condições que podem apresentar melhora ou remissão após a cirurgia estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, apneia do sono, esteatose hepática, síndrome dos ovários policísticos, doença do refluxo gastroesofágico e artroses. “Na prática, o paciente reduz o risco de doenças cardiovasculares, ganha qualidade e expectativa de vida”, afirma Becker.
Mitos ainda comuns entre pacientes
Apesar do avanço das técnicas e do aumento do número de procedimentos no país, a cirurgia ainda é cercada por desinformação. Um dos mitos mais frequentes é o de que quem passa pela bariátrica nunca mais volta a engordar.
“Não existe nenhum tratamento milagroso para a obesidade. Se não houver mudança de hábitos de vida, o reganho de peso pode acontecer sim”, explica Becker. Segundo ele, o reganho pode ocorrer com qualquer abordagem terapêutica. “Isso pode acontecer com cirurgia, com balão e com canetas. A diferença é que a chance de reganho é menor na cirurgia quando comparada a outros tratamentos.”
Outro equívoco recorrente é tratar a bariátrica como última alternativa. “Pacientes que não têm resposta eficaz aos tratamentos convencionais, que apresentam muita flutuação de peso e múltiplas comorbidades podem ter benefícios com a cirurgia mais precocemente”, afirma. Para ele, adiar a indicação pode trazer prejuízos clínicos. “Postergar a cirurgia quando já há indicação é dar brecha para o surgimento de novas comorbidades e para o agravamento da obesidade.”
Os resultados do procedimento também variam de acordo com o perfil do paciente. Idade, sexo, grau de obesidade, técnica cirúrgica e condições hormonais influenciam diretamente o desfecho. “Há um grande erro quando se comparam resultados entre pessoas que têm características totalmente diferentes entre si. Cada organismo é único”, diz Becker.
Fertilidade, hormônios e cuidados no pós-operatório
Além das doenças metabólicas, a cirurgia bariátrica pode impactar a saúde reprodutiva. A obesidade está associada a alterações hormonais que afetam a fertilidade de mulheres e homens. Com a perda de peso, esse cenário tende a se modificar, tema acompanhado de perto por equipes médicas em hospitais que também atuam na área materno-infantil, como o Hospital Mater Dei Goiânia, referência em maternidade.
“A cirurgia aumenta a fertilidade, e muito. Com a perda de peso, há um reajuste hormonal importante na saúde sexual da mulher e também do homem”, afirma Becker. Ele destaca que condições como a síndrome dos ovários policísticos costumam apresentar melhora após o procedimento. “Os ciclos menstruais tendem a se regularizar, melhorando a qualidade dos óvulos e o equilíbrio hormonal.”
Para mulheres que desejam engravidar, existe um intervalo recomendado após a cirurgia. “A orientação é que a gestação ocorra entre um ano e meio e dois anos após a cirurgia, período necessário para estabilização do peso e controle das comorbidades”, explica.
No pós-operatório, o acompanhamento nutricional é contínuo. “A suplementação é obrigatória. É preciso priorizar alimentos ricos em proteínas, utilizar suplementos proteicos e multivitamínicos e manter acompanhamento médico com exames laboratoriais”, afirma. Em casos de gestação, esse cuidado precisa ser ainda mais rigoroso.
Mesmo com os avanços técnicos e a ampliação do acesso a métodos de tratamento, Becker destaca que os resultados da cirurgia dependem do acompanhamento médico contínuo e da adesão às orientações de saúde ao longo do tempo.







