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Câncer de mama: mortalidade cresce 3,8 vezes mais entre mulheres negras, aponta estudo do INCA

Foto do escritor: Redação
Redação
há 8 minutos
3 min de leitura
Evento do INCA sobre câncer de mama em mulheres negras e desigualdades raciais no acesso à saúde, durante o Outubro Rosa 2026.
Levantamento revela desigualdades no diagnóstico e no acesso ao tratamento; publicação apresentada durante o Outubro Rosa reforça a necessidade de políticas de saúde com equidade.

O crescimento da mortalidade por câncer de mama entre mulheres negras no Brasil foi aproximadamente 3,8 vezes maior do que entre mulheres brancas no período de 2000 a 2020. O dado, identificado em pesquisa com participação do Instituto Nacional de Câncer (INCA), reforça o alerta sobre as desigualdades raciais no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento da doença.


O tema ganhou destaque nesta terça-feira (27), durante o lançamento da publicação Disparidades raciais e câncer de mama: um olhar para a saúde das mulheres negras, no âmbito das atividades do Outubro Rosa promovidas pelo INCA, no Rio de Janeiro.


Embora a incidência do câncer de mama seja maior entre mulheres brancas, pesquisas apontam que as mulheres negras enfrentam dificuldades adicionais que podem comprometer o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado.


A coordenadora da Divisão de Detecção Precoce do INCA, Renata Maciel, explicou que as diferenças observadas podem estar relacionadas às barreiras enfrentadas nos serviços de saúde.


“[Esse dado] pode estar relacionado ao acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento no serviço de saúde”, afirmou.


A especialista também destacou que mulheres negras apresentam maior incidência do câncer de mama triplo negativo, subtipo geralmente mais agressivo, e realizam menos exames de rastreamento na faixa etária analisada, entre 50 e 69 anos.


Desigualdade no diagnóstico e no tratamento


As diferenças não se limitam à frequência da doença. Um estudo publicado em 2024, com dados de registros brasileiros, identificou que 60,1% das mulheres negras receberam o diagnóstico em estágio avançado, contra 50,6% das mulheres brancas.


Para o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, fatores relacionados às características biológicas dos tumores e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde ajudam a compreender o cenário.


“O estudo mostra a necessidade de construir políticas públicas com equidade, possibilitando acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde”, afirmou.

Desigualdades socioeconômicas, dificuldades para conseguir atendimento e situações de estresse associadas às condições de vida estão entre os fatores que podem contribuir para essas disparidades.


A publicação também destaca a importância de ampliar as pesquisas sobre ancestralidade e genética, sem desconsiderar o peso das condições sociais e das barreiras enfrentadas pelas mulheres negras ao longo do cuidado.



Diagnóstico durante o Outubro Rosa mudou a vida de paciente


A artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, descobriu o câncer de mama em 2019, durante uma campanha de exames de rotina do Outubro Rosa. Na época, não apresentava sintomas.


“A doença foi considerada delicada. Fiz três cirurgias, tirei uma das mamas e fiz a reconstrução”, relatou.


Solange contou ainda que não conheceu a família paterna e que foi a primeira pessoa da família materna a receber o diagnóstico da doença.


O relato reforça a importância de ampliar o acesso aos serviços de saúde e de orientar as mulheres sobre a investigação de alterações nas mamas e a realização de exames conforme as recomendações médicas.


Prevenção e acesso à saúde


O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo o INCA, aproximadamente quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem a partir dos 50 anos.


Estima-se que cerca de 17% dos casos possam ser prevenidos por meio de fatores modificáveis, como a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado, a redução do consumo de bebidas alcoólicas e o aleitamento materno.


Entretanto, hábitos saudáveis não eliminam completamente o risco de desenvolver a doença. O acompanhamento de saúde, a investigação de sintomas e o acesso oportuno aos exames e tratamentos continuam fundamentais.


O lançamento da publicação ocorreu na sede do INCA, no centro do Rio de Janeiro, durante as atividades do Outubro Rosa e do Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.


Mais do que apresentar números, o levantamento chama atenção para a necessidade de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades e garantir que mulheres de diferentes grupos raciais tenham acesso ao cuidado em todas as etapas, da prevenção ao tratamento.


Com informações da Agência Brasil e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).


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