Pressão por aprovação no Enem exige atenção à saúde mental dos adolescentes

A pressão pela aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode afetar a saúde mental dos adolescentes, especialmente na reta final de preparação para a prova. A cobrança por bons resultados, o medo de não conseguir uma vaga na universidade e as expectativas familiares podem intensificar a ansiedade, prejudicar o descanso e dificultar a concentração dos estudantes.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 44,2% dos estudantes brasileiros de 16 e 17 anos relataram sentir irritação, nervosismo ou mau humor na maioria das vezes ou sempre.
O cenário chama a atenção para os desafios emocionais enfrentados por jovens que, além de se prepararem para o Enem 2026, precisam lidar com decisões sobre a carreira, a possibilidade de mudar de cidade e o início de uma nova etapa da vida.
Segundo Helington Costa, neuropsicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Estácio, a expectativa em torno do exame reúne sonhos e preocupações que podem se transformar em sofrimento emocional quando a cobrança se torna excessiva.
“Isso é muita coisa para decidir e imaginar. Em doses pequenas, essa expectativa motiva. Em excesso, vira angústia, insônia, irritação, dor de barriga, desânimo e até medo de decepcionar a família”, afirma.
Como a ansiedade pode prejudicar o desempenho no Enem?
As longas jornadas de estudo, a redução das horas de sono e as comparações com outros candidatos podem aumentar a insegurança durante a preparação. Na adolescência, fase marcada pelo desenvolvimento emocional e cognitivo, administrar essas expectativas pode ser especialmente desafiador.
Além do impacto no bem-estar, níveis elevados de ansiedade podem interferir na atenção e na recuperação de informações já aprendidas, dificultando o desempenho durante o exame.
“Quando a ansiedade é muito alta, o corpo entende que está em perigo e libera hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios preparam o corpo para fugir ou brigar, não para raciocinar. O resultado é o famoso ‘branco’, quando o estudante sabe o conteúdo, mas não consegue acessá-lo na hora”, explica o especialista.
Por isso, a preparação para o Enem não deve considerar apenas a quantidade de horas dedicadas aos estudos. O descanso, a organização da rotina e os cuidados com a saúde mental também precisam fazer parte desse planejamento.
Como controlar a ansiedade na reta final do Enem?
Para reduzir o nervosismo antes da prova, Helington Costa recomenda priorizar a revisão de conteúdos já estudados, em vez de tentar aprender uma grande quantidade de assuntos novos nos últimos dias.
Manter uma alimentação equilibrada, beber água regularmente e evitar o consumo excessivo de café e energéticos também são cuidados importantes. Pequenas pausas para caminhar, alongar-se ou realizar atividades ao ar livre podem ajudar a aliviar a tensão acumulada durante os estudos.
Outra recomendação é organizar com antecedência os documentos, os materiais permitidos, o lanche e o trajeto até o local de prova. Essa preparação ajuda a evitar preocupações desnecessárias no dia do exame.
O especialista também orienta os estudantes a reduzirem comparações com outros candidatos, especialmente nas redes sociais, e a conversarem com pessoas de confiança sobre seus receios e expectativas.
Sono e respiração ajudam a enfrentar o nervosismo
Uma boa noite de sono é fundamental para a aprendizagem e a consolidação da memória. Segundo o neuropsicólogo, sacrificar o descanso para estudar durante a madrugada pode comprometer a capacidade de recuperar informações.
“Quem passa a madrugada estudando e dorme pouco pode prejudicar a própria memória”, alerta.
Para momentos de maior tensão, Helington Costa sugere um exercício de respiração: inspirar pelo nariz contando até quatro, segurar o ar por dois segundos e soltar lentamente pela boca contando até seis. A sequência pode ser repetida por alguns minutos, de maneira confortável.
Embora essas estratégias possam ajudar a controlar o nervosismo, sintomas intensos ou persistentes de ansiedade merecem avaliação de um profissional de saúde.
Apoio da família é importante para a saúde mental dos adolescentes
A maneira como familiares e responsáveis acompanham a preparação para o Enem também pode influenciar o bem-estar emocional dos estudantes.
Para o especialista, demonstrar confiança, reconhecer o esforço e oferecer acolhimento são atitudes mais importantes do que intensificar a cobrança por resultados.
Frases como “estou orgulhoso do seu esforço” podem transmitir segurança e ajudar o adolescente a compreender que seu valor pessoal não depende exclusivamente da aprovação no exame.
O diálogo também permite identificar sinais de sofrimento emocional e buscar apoio quando necessário, evitando que as preocupações com o futuro sejam enfrentadas de maneira isolada.
Enem Action oferece preparação gratuita e correção de redação com IA
Além dos cuidados emocionais, os estudantes podem contar com ferramentas gratuitas para reforçar a preparação acadêmica.
A plataforma Enem Action disponibiliza conteúdos online de apoio ao Enem, com acesso 24 horas por dia. Pelo segundo ano consecutivo, a iniciativa também oferece o CorrigEA, ferramenta que utiliza inteligência artificial para apresentar avaliações e orientações sobre redações.
O recurso está disponível em corrigea.enemaction.com.br e funciona como apoio ao treinamento, sem substituir a correção oficial do exame.
Criado em 2015, o Enem Action reúne materiais educativos e promove ações em escolas públicas e privadas. A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto de Educação Médica (IDOMED) e as instituições de ensino superior Ibmec, Wyden e Estácio.
Para os estudantes, a principal orientação é conciliar a revisão dos conteúdos com uma rotina equilibrada de descanso e cuidados emocionais. Afinal, chegar preparado ao Enem também significa reconhecer os próprios limites e compreender que o resultado de uma prova não define toda uma trajetória.









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