top of page

Fauna silvestre pode indicar avanço de superbactérias fora de hospitais, aponta estudo

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura

Pesquisa identifica bactérias resistentes a antibióticos em animais e sugere uso como alerta precoce

Um estudo recente publicado na revista científica Frontiers in Microbiology aponta que animais da fauna silvestre podem funcionar como um sistema de alerta precoce para o avanço de bactérias resistentes a antibióticos fora do ambiente hospitalar.

A pesquisa analisou amostras de fezes de raposas, corvos e aves aquáticas e identificou a presença de microrganismos com resistência a antibióticos considerados críticos para a medicina humana.

Monitoramento ambiental como estratégia

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Parma, liderados pelo professor Mauro Conter, que analisaram cerca de 500 amostras coletadas no norte da Itália.

Segundo os cientistas, a escolha dos animais se deve à capacidade de transitar entre diferentes ambientes — urbanos, rurais e naturais — o que os torna indicadores relevantes da circulação de bactérias no ambiente.

Contaminação ocorre sem uso direto de antibióticos

Embora esses animais não recebam tratamento com antibióticos, eles entram em contato com resíduos humanos, esgoto, descargas hospitalares e dejetos de criações animais — principais fontes de disseminação dessas bactérias.

Ao circular por esses ambientes, acabam carregando e redistribuindo os microrganismos.

Bactéria de alto risco foi identificada

Entre os achados, os pesquisadores detectaram a presença da bactéria Klebsiella pneumoniae, conhecida por causar infecções graves em humanos, como pneumonia, sepse e meningite.

Embora a prevalência tenha sido considerada baixa, de cerca de 2%, o nível de resistência observado chamou a atenção: todas as amostras identificadas apresentaram resistência a duas classes importantes de antibióticos.

Alerta para a saúde pública

Para os pesquisadores, o principal impacto do estudo está na possibilidade de ampliar a vigilância da resistência antimicrobiana para além de hospitais e criações animais.

A inclusão da fauna silvestre em programas de monitoramento pode permitir a identificação precoce da circulação dessas bactérias no ambiente, antes que se tornem um problema mais amplo na saúde humana.

Próximos passos

Os autores defendem a ampliação dos estudos e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à redução da poluição por antibióticos, incluindo melhorias no tratamento de esgoto e controle no uso desses medicamentos em atividades como a pecuária.

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo não estabelece relação direta de transmissão entre animais e humanos, sendo necessário aprofundar as investigações.

 
 
 

Comentários


bottom of page