General admite autoria de plano que previa morte de Lula, Alckmin e Moraes, mas nega ter compartilhado documento
- Redação
- 25 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O general da reserva Mário Fernandes, que atuou no governo Bolsonaro como secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ser o autor de um plano que previa o assassinato de líderes do alto escalão da República. O documento, batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, listava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes como alvos.

Durante depoimento prestado nesta quinta-feira (24), Fernandes declarou que redigiu o plano por iniciativa própria, classificando-o como uma “análise de riscos” escrita de forma pessoal. Ele alegou ter impresso o conteúdo apenas para leitura, sem compartilhá-lo com ninguém. “Rasguei o documento logo depois. Nunca foi entregue a terceiros”, disse o general, ao ser questionado pelo juiz auxiliar Rafael Janela Tamai Rocha, que atua no gabinete de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, afirma que o plano chegou ao conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro e que a intenção era provocar uma ruptura institucional para impedir a posse do novo governo eleito. A estratégia incluía provocar comoção nacional por meio dos assassinatos, com o objetivo de mobilizar apoio dentro do Exército para um golpe de Estado.
A PGR aponta ainda que o plano previa métodos como o uso de explosivos, armas ou veneno para executar os ataques. A proposta só não teria sido levada adiante por falta de apoio do então comandante do Exército.
Além do plano, Fernandes também admitiu ser o autor de uma minuta que propunha a criação de um “gabinete de crise” vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). De acordo com ele, o documento serviria apenas para assessoramento interno, em caso de instabilidade. O general Augusto Heleno teria sido indicado para chefiar esse gabinete, com o general Braga Netto na coordenação geral.
Durante o depoimento, o general justificou a impressão do material no Palácio do Planalto como um “costume pessoal”. Disse que fazia isso por comodidade e negou qualquer uso institucional.
Mário Fernandes também afirmou ter ido algumas vezes aos acampamentos montados em frente a quartéis após as eleições de 2022. Chamou os atos de “festa cívica” e relatou contato com o manifestante Rodrigo Yassuo Faria Ikezili, que teria pedido ajuda para montar uma tenda.
A PGR ainda acusa Fernandes de atuar em ações de monitoramento de autoridades e de manter relação com outros aliados de Bolsonaro envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
As investigações continuam em andamento no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.











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