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Cibersegurança: novo instituto conecta tecnologia, direito, sociedade e inovação para o avanço da área

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 19 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 3 de set. de 2025

O INCT-IACiber atuará em um ecossistema nacional de pesquisa científica de ponta, formação de recursos humanos e inovação em IA e cibersegurança


Cibersegurança: novo instituto conecta tecnologia, direito, sociedade e inovação para o avanço da área

A tecnologia, impulsionadora de avanços em diversos setores, também tem se tornado um dos principais desafios para a segurança cibernética. A inteligência artificial (IA), apesar de ser uma ferramenta poderosa para defesa digital, tem sido cada vez mais usada para potencializar ciberataques e cibercrimes, amplificando o poder dos cibercriminosos. Ela automatiza ataques em grande escala, gera e-mails de phishing personalizados, cria deepfakes realistas para fraudes e auxilia em muitas outras atividades maliciosas. Esses avanços tornam os ataques mais rápidos, furtivos e eficazes, exigindo respostas igualmente avançadas por parte da cibersegurança.


Porém, a resiliência cibernética não depende só da tecnologia, depende também das pessoas e da criação e manutenção de uma cultura a ser consolidada na sociedade. Para atuar na construção de um ecossistema nacional de pesquisa científica de ponta, formação de recursos humanos e inovação em IA e cibersegurança, o recém-aprovado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial para Cibersegurança: Uma Abordagem Tecnológica e Social (INCT-IACiber) terá como sede na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.


“O INCT-IACiber surge com a missão de avançar o conhecimento na interseção entre as áreas de Inteligência Artificial e Cibersegurança, capacitar profissionais de excelência, desenvolver soluções para IA seguras, éticas e resilientes capazes de proteger nossas infraestruturas críticas, garantir a privacidade dos cidadãos e apoiar políticas públicas de cibersegurança robustas e responsáveis”, explica Michele Nogueira, doutora em Ciência da Computação pela Universidade de Sorbonne e vice-coordenadora do INTC-IACiber. O Instituto trabalha em consonância com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028, além da parceria com várias outras universidades do Brasil e articulação com instituições internacionais, empresas e órgãos públicos.


A importância de atuar em diversas frentes

O trabalho excessivo em tecnologia acaba negligenciando a capacitação e a conscientização das pessoas. Michele explica que é importante a implementação de processos e campanhas que integrem a cibersegurança na vida cotidiana dos funcionários com treinamentos comportamentais e de atenção, que os ajude a entender os objetivos dos atacantes e como evitar cair em armadilhas. Além de tecnologia, o projeto envolve pesquisadores e profissionais nas áreas do direito, sociologia e psicologia. “Por isso, a uma iniciativa inédita de criar o INCT-IACiber é necessária e une pesquisadores de excelência em uma abordagem transdisciplinar para conectar tecnologia, direito, sociedade e inovação”, enumera Michele Nogueira.


Com foco em ações de alto impacto, o instituto trabalhará na detecção e mitigação de ameaças em tempo real; IA explicável, ética e confiável; proteção de dados sensíveis e infraestruturas críticas; capacitação de profissionais em todos os níveis, conscientização sobre cibersegurança, apoio na formação de políticas públicas baseadas em evidências científicas, podendo impactar setores como finanças, energia e saúde — todos vulneráveis digitalmente.


Cenário da cibersegurança no Brasil

Num mundo cada vez mais conectado e orientado por dados, a cibersegurança se tornou um dos pilares estratégicos da soberania nacional, das instituições e das empresas do país. Nos últimos tempos, o mundo e o Brasil têm enfrentado um aumento significativo de ciberataques, com diversos casos envolvendo vazamento de dados e ataques a sistemas de empresas e instituições governamentais. Apesar do Brasil ser posicionado pela ONU como um dos líderes globais em maturidade normativa e institucional em cibersegurança, o relatório de Cibersegurança publicado pela Brasscom em julho de 2025 mostra que nas empresas brasileiras o cenário é outro e aponta que existe um caminho a percorrer com urgência. Em geral, a cibersegurança continua tendo baixa prioridade estratégica, pautada por uma cultura reativa e apoiada por orçamentos fragmentados.


Em 2024, o país registrou um crescimento expressivo de ataques e tentativas de ataques cibernéticos, com destaque para os ataques de ransomware e phishing. O Brasil carrega o título de segundo país com mais ataques cibernéticos no mundo. Também em 2024, foram registrados mais de 700 milhões de ataques cibernéticos no país, totalizando 1.379 por minuto, segundo o Panorama de Ameaças para a América Latina 2024. Estima-se que entre 2025 e 2028, as empresas brasileiras invistam 104,6 bilhões de reais em cibersegurança. Alta de 43,8% em relação ao período anterior. “Porém, apesar do número impressionar, ele esconde uma contradição. A maioria das organizações ainda reage aos incidentes em vez de se proteger antecipadamente. A cibersegurança só é pautada depois do prejuízo, o que gera uma consciência momentânea, porém resulta em consequências, como a perda de credibilidade e de negócios”, enfatiza Michele Nogueira.


Cibersegurança e vantagem competitiva

O estudo ‘Competitividade Brasil’ da Confederação Nacional das Indústrias, divulgado em abril de 2025, classificou o nível de competitividade industrial brasileiro em última posição entre 18 países, tendo como referência os indicadores econômicos. A posição alcançada pelo Brasil reflete problemas estruturais históricos do país, que ainda são preocupantes: alta complexidade tributária, problemas na macroeconomia e investimentos. “No entanto, com o novo cenário competitivo, também foi possível identificar novas oportunidades em fatores como, por exemplo, inovação e tecnologia. Investir em IA e cibersegurança não é mais uma opção. É o caminho fundamental para aumentamos a competitividade da nossa indústria por meio de inovação e tecnologia, para defendermos o ciberespaço, defendermos nossa economia e os direitos fundamentais. O INCT IACiber é uma peça chave neste processo, que tem como um dos objetivos principais conectar academia, governo, empresas e sociedade”, finaliza Michele Nogueira.


Sobre a Pesquisadora Michele Nogueira

Michele Nogueira é cientista da computação atuando nas áreas de redes de computadores, segurança de redes e privacidade dos dados. Tem doutorado em Ciência da Computação pela Sorbonne Université - UPMC/LIP6, Paris, França (2009) e realizou Pós-doutorado na Universidade Carnegie Mellon (CMU), Pittsburgh, EUA, com bolsa de Estágio Pós-Doutoral no Exterior CAPES, Programas Estratégicos - DRI. Foi membro titular do Conselho Nacional de Proteção dos Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD) da Autoridade Nacional de Proteção dos Dados Pessoais (ANPD).

É membro sênior da Association for Computing Machinery (ACM) e do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) em reconhecimento à sua liderança e contribuições técnicas e profissionais.


É professora associada do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e é membro permanente do programa de Pós-graduação em Ciência da Computação.


Dedica-se a pesquisas voltadas à cibersegurança e à resiliência de redes e comunicação com aplicações em vários setores da sociedade

1 comentário


jennysilva3.2.3.12
08 de ago.

Trước đây mình cũng có thời gian hay ngồi soi số, nghe bạn bè bàn tán rồi hứng lên thử chút cho biết. Nhưng càng chơi càng nhận ra rất dễ bị cảm xúc dắt mũi. Lúc ăn thì phấn khích, còn khi trượt vài lần là cáu, đầu óc lơ đãng, công việc cũng bị ảnh hưởng, rồi lại nảy ý định gỡ cho bằng được. Đọc mấy chia sẻ kiểu này thấy giống mình, nhiều khi nhớ cảm giác hồi hộp hơn là quan tâm được mất. Bạc nhớ lô đề theo mình không chỉ là muốn thắng, mà còn là thói quen tìm thứ gì đó để xả stress. Giờ mình tự nhắc chỉ coi như giải…

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