Mulher é morta a facadas pelo ex-companheiro na zona rural de Ipanguaçu; suspeito foge
- Redação
- 6 de out. de 2025
- 4 min de leitura
Vítima foi perseguida após sair de um evento de vaquejada; polícia apreendeu evidências e investiga motivação ligada a término de relacionamento
Uma mulher de 39 anos foi morta a facadas na noite de sábado, 4 de outubro, na comunidade de Pedrinhas, zona rural de Ipanguaçu, Região Oeste do Rio Grande do Norte.
A vítima foi identificada como Patrícia Poliana Lopes, natural de Itajá. Segundo a Polícia Militar, o principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, que teria a perseguido após ela deixar um evento e fugiu do local sem ser localizado até a manhã de domingo, 5. O Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) de Mossoró recolheu o corpo para necropsia e a Polícia Civil de Ipanguaçu conduz as investigações.

O crime ocorreu por volta das 23h30, quando Patrícia deixou um bolão de vaquejada na zona rural. Testemunhas relataram à polícia que o suspeito teria seguido a vítima de carro pela RN-118 até a comunidade de Pedrinhas. Ao chegar ao ponto onde ela se encontrava, o homem desferiu golpes de faca contra Patrícia, que foi atingida e caiu na calçada de um ponto comercial. O socorro foi acionado, mas a mulher não resistiu aos ferimentos e faleceu antes da chegada da equipe de atendimento.
De acordo com a Polícia Militar, o casal estava separado há cerca de dois anos. Familiares e vizinhos informaram que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e que já havia demonstrado comportamento de perseguição e ameaças contra a vítima. Este histórico motivacional é uma das linhas centrais da investigação inicial, que busca comprovar se o crime teve relação direta com a recusa do agressor em aceitar o término da união.
As equipes da Polícia Civil iniciaram imediatamente as diligências no local e na região. A área foi isolada para as perícias e recolhimento de vestígios. O Itep de Mossoró realizou o exame pericial e o corpo foi encaminhado para necropsia. A investigação também prevê oitiva de testemunhas, análise de imagens de câmeras de segurança próximas ao local e busca por rastros do veículo utilizado pelo suspeito durante a fuga.
Casos de violência doméstica e feminicídio têm sido tratados como prioridade pelas autoridades policiais e judiciárias. A legislação brasileira inclui como qualificadora do homicídio o motivo de gênero quando a vítima é assassinada por violência doméstica ou discriminação de gênero, e as investigações deverão apurar se o crime se enquadra nos parâmetros do feminicídio. Procuradores e delegados costumam pedir rápida coleta de provas para garantir a responsabilização e para subsidiar eventuais medidas protetivas que, quando solicitadas previamente, nem sempre foram suficientes para evitar a tragédia.
A comunidade de Pedrinhas e o município de Ipanguaçu ficaram abalados com a violência. Residentes afirmaram que o clima é de choque e comoção. Familiares pedem celeridade nas investigações e que o suspeito seja localizado e responsabilizado. Representantes locais da sociedade civil e grupos de defesa das mulheres cobram ações mais efetivas das autoridades para prevenir novos casos e para ampliar a proteção das vítimas de ameaças e perseguições.
Ao longo das primeiras horas de investigação, a polícia concentrou buscas em estradas vicinais nas imediações e checou pontos conhecidos onde o suspeito poderia ter buscado abrigo. Não havia, até a manhã seguinte ao crime, informação pública sobre a localização do homem ou acerca de mandado de prisão temporária, medida que pode ser solicitada pela autoridade policial assim que houver elementos suficientes que indiquem a materialidade e a autoria do crime.
A morte de Patrícia reforça a necessidade de ampliar a rede de proteção e atendimento a mulheres que sofrem violência doméstica e ameaças. Especialistas em segurança pública alertam para a importância de denúncias precoces e de um acompanhamento mais incisivo nos casos sinalizados. Quando há sinais de perseguição ou comportamento obsessivo por parte de um ex-parceiro, mecanismos como medidas protetivas de urgência, monitoramento e articulação entre órgãos de segurança e serviços sociais podem reduzir o risco de tragédias.
A Delegacia de Polícia Civil de Ipanguaçu é a responsável pelo inquérito e deve reunir testemunhos, provas periciais e vestígios biométricos que possam apontar a dinâmica do crime e identificar o autor. O trabalho inclui também o levantamento de antecedentes criminais do possível suspeito e checagem de registros de agressões anteriores que eventualmente tenham sido comunicadas às autoridades.
Representantes das equipes de saúde e assistência social do município foram acionados para prestar apoio à família da vítima e às pessoas afetadas diretamente pelo crime. O acolhimento psicológico e o acompanhamento de parentes são medidas frequentemente adotadas para minimizar o impacto do evento traumático na comunidade local.
A pauta da violência contra a mulher no Rio Grande do Norte tem ocupado espaço em audiências públicas e debates regionais. Organizações não governamentais e coletivos feministas usam casos como esse para reforçar demandas por políticas públicas mais efetivas e por campanhas de conscientização que desestimulem a cultura machista e a normalização de comportamentos de posse e domínio nas relações afetivas.
A investigação agora deve avançar para identificar com precisão como se deu a perseguição, se houve conivência de terceiros, se o suspeito agiu de forma premeditada e qual foi a sequência dos fatos entre a saída do evento e o momento do ataque. A Polícia Civil pode requisitar imagens de celular de testemunhas e de eventuais câmeras privadas instaladas em estabelecimentos da RN-118 para compor a cronologia dos movimentos.
Para a população, a orientação é que qualquer informação relevante que possa ajudar na localização do suspeito seja comunicada às autoridades. Denúncias podem ser feitas à Polícia Civil local ou à Polícia Militar por meio dos canais oficiais. A colaboração do público costuma ser determinante em casos que envolvem fuga do autor pelos arredores rurais, onde a malha viária é extensa e o conhecimento da região por moradores locais pode acelerar a captura.
O caso segue em apuração e a Secretaria de Segurança Pública do estado deverá acompanhar o desdobramento das diligências. A confirmação de motivação ligada ao término do relacionamento poderá transformar o inquérito em investigação de feminicídio, com implicações no rito processual e em eventuais medidas cautelares.











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