Parar canetas emagrecedoras acelera recuperação do peso, aponta estudo internacional
- Redação
- há 8 horas
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Pesquisa mostra que interrupção de medicamentos como Wegovy e Mounjaro pode levar ao ganho de até 0,8 kg por mês

Um estudo publicado no British Medical Journal indica que pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras, como Wegovy e Mounjaro, tendem a recuperar o peso perdido em um ritmo significativamente mais rápido do que aquelas que emagrecem apenas com mudanças no estilo de vida. De acordo com os dados, o ganho de peso após a suspensão do medicamento pode ser até quatro vezes mais acelerado.
A análise reuniu informações de 37 estudos clínicos, envolvendo mais de 9 mil participantes. Durante o período de uso das medicações, os pacientes chegaram a perder, em média, cerca de 20% do peso corporal. No entanto, após a interrupção do tratamento, a recuperação ocorreu de forma progressiva e constante, com média de 0,8 quilo por mês. Nesse ritmo, muitos pacientes retornam ao peso anterior em aproximadamente 18 meses. Em comparação, pessoas que emagrecem sem o uso de medicamentos costumam perder menos peso inicialmente, mas apresentam um reganho mais lento, estimado em cerca de 0,1 quilo por mês.
A pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, uma das autoras do estudo, alerta que os pacientes precisam ser orientados sobre os riscos da interrupção do tratamento. Segundo ela, os resultados reforçam que a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica. A pesquisadora também destaca que os dados analisados são de ensaios clínicos e que ainda são necessários estudos de longo prazo para avaliar os efeitos contínuos dessas terapias.
Especialistas explicam que medicamentos como Wegovy e Mounjaro atuam simulando o hormônio GLP-1, responsável por regular o apetite e a saciedade. Com a retirada da medicação, esse controle diminui, o que pode aumentar a sensação de fome e favorecer episódios de compulsão alimentar, especialmente quando não há mudanças consistentes nos hábitos alimentares e no comportamento.
No Brasil, as canetas emagrecedoras são aprovadas pela Anvisa para o tratamento da obesidade, mas não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O custo mensal pode ultrapassar R$ 1.200, o que dificulta o uso contínuo por grande parte da população.
Para médicos e pesquisadores, os resultados do estudo reforçam a importância do acompanhamento médico prolongado e da adoção de estratégias complementares, como reeducação alimentar, prática regular de atividade física e suporte psicológico, para reduzir o risco de recuperação acelerada do peso após a suspensão do tratamento.







