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População em situação de rua cresce 109% em cinco anos no RN

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    Redação
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura
População em situação de rua cresce 109% em cinco anos no RN
Levantamento da UFMG mostra que número de pessoas vivendo nas ruas mais que dobrou entre 2020 e 2025; Natal concentra quase 63% dos casos no estado

O número de pessoas em situação de rua no Rio Grande do Norte mais que dobrou entre 2020 e 2025, registrando um crescimento de 109,4% ao longo de cinco anos. As informações são do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), a partir de dados do Cadastro Único. De acordo com o levantamento, o estado contabilizava 1.597 pessoas vivendo nas ruas em 2020, número que saltou para 3.345 em 2025. Em Natal, o avanço foi ainda mais expressivo, com aumento de 134,1% no mesmo intervalo. Os dados indicam que tanto a capital quanto o estado acompanham uma tendência observada em todo o país.


Segundo o OBPopRua/UFMG, no cenário estadual, os números oscilaram entre 2020 e 2022, com queda registrada em 2021, quando o total foi de 1.268 pessoas, frente a 1.597 em 2020 e 1.550 em 2022. A partir de 2023, no entanto, o crescimento passou a ser contínuo: foram 2.117 pessoas em situação de rua em 2023, 2.599 em 2024 e 3.345 no ano passado. Com esse quantitativo, o Rio Grande do Norte ocupa, em 2025, a quinta posição no Nordeste em número de pessoas vivendo nas ruas, atrás apenas da Bahia (16.624), Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700).


Em nota, a Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh) avaliou que o aumento está ligado a “fatores estruturais, como a ausência de moradia digna, dificuldades de acesso ao trabalho, à renda e aos benefícios sociais”, além da necessidade de fortalecimento de políticas públicas integradas e permanentes voltadas à população em situação de rua.


A pasta também destacou que as ações atualmente existentes ainda enfrentam limitações de alcance e integração, especialmente no que diz respeito à ampliação e qualificação dos serviços destinados diretamente a esse público. Entre os exemplos citados estão banheiros públicos e sociais, pontos de acesso à água potável, serviços de higiene, atendimento clínico e psicossocial, equipes de consultório na rua, abordagem social e unidades de acolhimento.


Por fim, a Semjidh informou que, em articulação com outras secretarias, discute a expansão e o aprimoramento das ações, com foco em uma abordagem integral e humanizada, que envolva moradia digna, capacitação profissional, geração de emprego e renda, ampliação do acesso a benefícios sociais, fortalecimento dos serviços de atendimento nas ruas e reforço da atuação intersetorial do Estado.


Natal concentra maioria


Em Natal, conforme o OBPopRua/UFMG, 2.103 pessoas viviam em situação de rua em 2025, o equivalente a 62,8% do total registrado em todo o RN. A capital apresentou crescimento quase contínuo ao longo dos cinco anos, com exceção de 2021. Os números passaram de 898 pessoas em 2020 para 736 em 2021, 943 em 2022, 1.274 em 2023, 1.557 em 2024 e 2.103 em 2025, representando uma alta acumulada de 134,1%.

No comparativo entre capitais nordestinas, Natal ocupa a quinta colocação em população em situação de rua. À frente estão Fortaleza (11.349 pessoas), Salvador (10.296), Recife (4.784) e Maceió (2.357). A Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) foi procurada para comentar os dados e informar as políticas adotadas, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.


Em âmbito nacional, o número de pessoas vivendo nas ruas cresceu 87,7% entre 2020 e 2025, passando de 194.824 para 365.822, segundo o OBPopRua/UFMG. O levantamento aponta que o avanço está relacionado, entre outros fatores, à ausência ou insuficiência histórica de políticas públicas estruturantes nas áreas de moradia, trabalho e educação. O estudo também destaca que essa população é majoritariamente negra: em média, sete em cada dez pessoas em situação de rua no Brasil são negras.


Entre 2020 e 2021, período marcado pelo início da pandemia da covid-19, houve redução no número de pessoas vivendo nas ruas, de 194.824 para 158.191. A partir de 2022, porém, os dados voltaram a subir, mantendo crescimento contínuo em todo o país.

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