Primeira liderança: 90% dos novos gestores dizem não estar preparados para o cargo
- Redação
- há 7 horas
- 3 min de leitura

A princípio, ser promovido no trabalho a um cargo de chefia parece uma realização importante a ser celebrada, uma evolução onde o profissional foi reconhecido por suas competências técnicas. No entanto, a liderança traz consigo um peso maior do que o ingressante estava acostumado.
Ao deixar de ser responsável pelas próprias entregas para desenvolver pessoas e responder pelos resultados de outros, muitos descobrem que as competências que os levaram até ali não são as mesmas que vão garantir o sucesso na nova função.
A percepção de que a promoção nem sempre vem acompanhada da preparação é confirmada por pesquisas internacionais. O levantamento da consultoria global Development Dimensions International (DDI), especializada em desenvolvimento de lideranças, revelou que 90% dos profissionais promovidos ao primeiro cargo de gestão afirmam não se sentir preparados para a nova função.
Além disso, 84% classificaram essa transição como um período de elevado estresse e apenas 16% disseram que assumir a liderança ocorreu de forma natural.
Isso ajuda a explicar por que profissionais altamente competentes em suas áreas nem sempre conseguem repetir o mesmo desempenho quando passam a liderar equipes.
Embora o conhecimento técnico seja um dos fatores que impulsionam promoções, a gestão de pessoas exige um conjunto de competências diferente daquele desenvolvido durante a atuação como especialista.
Essa mudança é explicada no livro The Leadership Pipeline: How to Build the Leadership-Powered Company, dos especialistas em liderança Ram Charan, Stephen Drotter e James Noel.
Na obra, os autores defendem que a primeira promoção para um cargo de gestão representa uma das transições mais complexas da carreira, pois exige que o profissional deixe de concentrar esforços na própria execução para desenvolver pessoas, delegar responsabilidades e conduzir a equipe aos resultados.
Quando o conhecimento técnico deixa de ser suficiente
Um dos desafios mais recorrentes dessa transição é abandonar o papel de principal executor. Afinal, muitos profissionais recém-promovidos continuam dedicando grande parte do tempo às atividades técnicas, em vez de investir no desenvolvimento da equipe.
Como consequência, passam a centralizar decisões, revisar excessivamente o trabalho dos colaboradores e encontram dificuldade para delegar responsabilidades.
Outro obstáculo comum é a dificuldade para conduzir conversas delicadas, como feedbacks sobre desempenho ou conflitos entre membros da equipe. Muitos gestores iniciantes evitam esses diálogos na tentativa de preservar um bom relacionamento, mas acabam permitindo que pequenos problemas se acumulem e afetem o desempenho coletivo.
Também é comum que o profissional tente manter o papel de principal referência técnica da equipe. Embora o conhecimento especializado continue sendo importante, a liderança exige uma mudança de foco: em vez de solucionar todos os problemas pessoalmente, o gestor passa a criar condições para que outras pessoas desenvolvam autonomia e encontrem soluções.
Esses percalços podem refletir no baixo engajamento da equipe e maior rotatividade de profissionais, perda de produtividade e deterioração do clima organizacional, fatores que elevam custos e prejudicam a retenção de talentos.
Liderança é uma competência que pode ser desenvolvida
Apesar dos desafios, a liderança pode ser desenvolvida por meio de aprendizado contínuo e prática. É o que defende Camila Rocha, especialista em Gestão de Pessoas e gerente de Educação da Sólides.
"Comunicação, delegação, gestão de conflitos, inteligência emocional e tomada de decisão são competências que podem ser desenvolvidas por meio da prática, do feedback e do aprendizado contínuo", afirma.
Camila é professora do curso online gratuito Primeira Liderança, da plataforma Escola de Pessoas. Com duração de três horas e 14 aulas, o conteúdo é voltado a profissionais que estão assumindo seu primeiro cargo de gestão e aborda temas como transição da função técnica para a liderança, estilos de liderança, feedback, delegação de responsabilidades e desenvolvimento de equipes.
O curso oferece material complementar e certificado de conclusão, com o objetivo de apoiar profissionais nesse momento de transição e prepará-los para os desafios da gestão de pessoas. À medida que as empresas buscam líderes capazes de desenvolver equipes e impulsionar resultados, investir na formação desses profissionais torna-se cada vez mais estratégico.





