Quando trocar o odontopediatra pelo dentista de adultos?
- Redação
- há 2 dias
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Até quando o filho deve ser acompanhado por um odontopediatra e em que momento faz sentido migrar para um dentista clínico geral? Um estudo publicado em 2025 no Journal of Dental Research, com 11.189 participantes, identificou uma queda acentuada na frequência de consultas odontológicas entre os 15 e os 20 anos em um grupo que representava 24,9% da população analisada.
Segundo Gabriel Politano, professor e odontopediatra do Ateliê Oral Kids, saber quando trocar o odontopediatra exige avaliar se a dentição permanente já está consolidada, se existem tratamentos em andamento, alterações na mordida, atraso na troca dos dentes, histórico de cárie ou necessidade ortodôntica.
Como os dentes de leite possuem características específicas e podem exigir acompanhamento especializado, a decisão deve considerar se a dentição permanente já está consolidada, se existem tratamentos em andamento, alterações na mordida, atraso na troca dos dentes, histórico de cárie, necessidade ortodôntica ou outras condições que justifiquem a permanência do adolescente por mais tempo com o odontopediatra.
Em alguns casos, como o de pacientes no espectro autista ou com outras condições cognitivas e de desenvolvimento, o acompanhamento pode ser prolongado. A adaptação ao ambiente, a previsibilidade do atendimento e a relação de confiança construída ao longo dos anos também precisam ser consideradas.
“O importante é que a transição aconteça de maneira alinhada entre os profissionais, garantindo a continuidade do acompanhamento clínico do paciente. Embora o odontopediatra esteja capacitado para realizar diversos procedimentos, situações como a extração dos dentes do siso ou tratamentos estéticos mais complexos podem exigir o encaminhamento para outro profissional”, explica Politano.
Cuidados começam ainda na gestação
A transição para o dentista clínico geral se apoia em um histórico de cuidados que começa na infância e pode receber orientações importantes ainda durante a gestação.
No pré-natal odontológico, a gestante recebe informações que podem influenciar os primeiros meses e os anos seguintes da vida da criança. Uma revisão brasileira publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva apontou que gestantes com periodontite apresentaram mais que o dobro de chance de gerar bebês com baixo peso ao nascer, reforçando a importância do acompanhamento odontológico durante a gravidez e do controle das inflamações gengivais.
Segundo o especialista, ainda persistem mitos que afastam gestantes dos consultórios odontológicos. Entre eles estão as ideias de que grávidas não podem receber anestesia, realizar radiografias ou tratar problemas dentários.
“Quando há indicação clínica, o atendimento pode e deve ser realizado. O risco de manter um foco infeccioso tende a ser muito maior do que o procedimento em si”, afirma.
Politano explica que anestésicos locais podem ser utilizados durante a gestação quando corretamente indicados. Radiografias também podem ser realizadas quando necessárias para o diagnóstico, de maneira criteriosa e com as medidas adequadas de proteção.
A ideia de que a gestação, por si só, causa cárie também é incorreta. O período pode favorecer alterações e inflamações gengivais em algumas mulheres, mas esses problemas podem ser controlados com higiene bucal adequada, uso de fio dental e acompanhamento profissional.
O segundo trimestre costuma ser considerado mais confortável para a realização de procedimentos eletivos, pois os desconfortos do terceiro trimestre ainda tendem a ser menores. Diante de infecção, dor ou necessidade de tratamento, no entanto, o atendimento não deve ser adiado apenas por causa da fase da gestação.
Primeira consulta deve ocorrer cedo
Após o nascimento, as consultas odontológicas podem começar ainda nos primeiros meses de vida e, preferencialmente, até o primeiro ano. Nesse acompanhamento, além do exame clínico, os responsáveis recebem orientações capazes de repercutir na saúde bucal da criança até a vida adulta.
Entre as recomendações está o incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses, com continuidade até os dois anos ou mais, conforme as condições da mãe e da criança. Além dos benefícios nutricionais e imunológicos, a amamentação participa do desenvolvimento das estruturas orofaciais.
Os odontopediatras também orientam evitar o uso precoce e frequente de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, pois esses hábitos podem contribuir para alterações ósseas e no posicionamento dos dentes.
Segundo Politano, o uso prolongado e frequente de mamadeira, chupeta e sucção do dedo pode aumentar o risco de alterações no posicionamento dos dentes, na postura da língua e na musculatura oral. Hábitos como sugar ou mordiscar naninhas, fraldas e outros tecidos também exigem atenção.
Dependendo da intensidade e da duração, essas alterações podem favorecer a permanência da boca entreaberta e a respiração oral habitual.
Escovação começa com o primeiro dente
Outro ponto importante é a higiene bucal. Enquanto o bebê ainda não possui dentes, especialmente quando recebe aleitamento materno, não há necessidade de realizar a limpeza da boca como forma de prevenir cáries.
A escovação passa a ser indicada a partir do nascimento do primeiro dente, sempre com orientação sobre as técnicas e os produtos recomendados para cada faixa etária.
Depois da primeira consulta, a periodicidade do acompanhamento deve ser definida individualmente pelo odontopediatra, de acordo com as necessidades e os fatores de risco apresentados pela criança.
“Problemas aparentemente simples, como lesões de cárie e má oclusão, podem desencadear dificuldades na mastigação, na fala e no desenvolvimento da arcada dentária. Dor, desconforto, trauma dentário, dentes manchados, dificuldade para mastigar e atraso no nascimento ou na troca dos dentes são sinais para antecipar a consulta”, afirma o especialista.
O acompanhamento ao longo dos anos também permite ao odontopediatra identificar o momento mais adequado para a transição ao dentista clínico geral, preservando a continuidade dos cuidados e evitando que o adolescente abandone as consultas justamente nessa fase.









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