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Pacientes são transferidas após falhas elétricas na Maternidade Januário Cicco

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Problemas de oscilação elétrica, choques no piso e queima de equipamentos levaram à remoção de pacientes para unidades estaduais; UTI neonatal segue ativa com gerador



A Maternidade Escola Januário Cicco, referência em assistência materno-infantil e vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), enfrenta uma situação emergencial desde o fim de semana após registrar falhas graves na rede elétrica do prédio. Pacientes relataram choques no chão e a direção confirmou a queima de equipamentos essenciais, o que levou ao esvaziamento parcial da unidade e à transferência de 23 mulheres para o Hospital Santa Catarina, na Zona Norte de Natal. A UTI neonatal, contudo, permanece em funcionamento com apoio de geradores.


A maternidade informou, em nota oficial, que a decisão de reorganizar os atendimentos foi tomada “visando garantir a segurança de pacientes e profissionais e a continuidade assistencial”. Segundo a instituição, oscilações persistentes na rede elétrica colocaram em risco a operação de equipamentos sensíveis, além de comprometer o conforto e a proteção de quem circula pelo prédio. “A MEJC reforça seu compromisso com a segurança e trabalha para restabelecer a plena normalidade o mais breve possível”, declarou a direção.


O Hospital Santa Catarina, que também é referência em atendimentos de alto risco, passou a absorver parte da demanda da Januário Cicco. O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, reconheceu que a sobrecarga foi imediata, já que as duas unidades lidam com perfis semelhantes de pacientes. “É um prédio anterior à Segunda Guerra Mundial. Então a gente precisa até compreender esse momento. Ninguém deseja isso. E eles têm agora um problema para resolver, descobrir por que está acontecendo”, afirmou o secretário, destacando que a estrutura antiga exige intervenções constantes.


Somente no fim de semana, 23 pacientes foram transferidas após a constatação de riscos na maternidade federal. A Secretaria Estadual de Saúde reforçou que o Santa Catarina tem capacidade de absorver parte da demanda, mas alertou para limitações de pessoal. Motta explicou que há espaço físico disponível em outras unidades, como a maternidade de São José de Mipibu, porém falta equipe suficiente para realocar profissionais de maneira imediata.


Por isso, o secretário solicitou à direção da Januário Cicco o apoio temporário de servidores da maternidade federal para reforçar a operação nas unidades estaduais durante o período de instabilidade. A resposta da MEJC ainda depende de análise jurídica e consulta aos profissionais envolvidos. “A gente tem espaço físico disponível, que pode ser ampliado, principalmente na maternidade de São José do Mipibu, mas não temos material humano para esse caso agora, especificamente, por essa circunstância. Mas existe essa tratativa”, explicou Motta.


O prédio da Januário Cicco é parte de um conjunto histórico da UFRN e possui quase um século de existência. A idade da estrutura tem sido um desafio recorrente para manutenção e modernização de instalações, especialmente no setor elétrico. Há anos, profissionais relatam dificuldades relacionadas à sobrecarga, necessidade de substituição de circuitos e riscos associados ao funcionamento de equipamentos de alta tecnologia em um prédio antigo.


A recente ocorrência de choques no piso chamou atenção pela gravidade, pois indica fuga de corrente elétrica em áreas de circulação. Além disso, a queima de aparelhos utilizados em procedimentos clínicos reforça a urgência de reparos profundos. Técnicos da UFRN e equipes de manutenção trabalham na identificação da origem da falha, que pode incluir sobrecarga, infiltrações, deterioração de cabos antigos ou danos estruturais acumulados.

A direção da maternidade afirmou que somente após diagnóstico completo será possível determinar prazo para normalização do atendimento e retorno das pacientes ao prédio.


Apesar da transferência de parte das internas, a UTI neonatal permanece funcionando na Januário Cicco com apoio de geradores enquanto a equipe aguarda liberação técnica. A decisão de manter o setor aberto se deve ao alto risco dos recém-nascidos atendidos na unidade, muitos deles prematuros ou em situação clínica delicada. Remover esses bebês poderia piorar quadros sensíveis ou provocar descompensações.


Profissionais de saúde reforçam que esse equilíbrio entre risco elétrico e risco clínico exige avaliação constante, e que a permanência do setor no prédio é acompanhada por engenheiros e equipes de manutenção da universidade.


A UFRN trabalha para restabelecer a normalidade “o mais breve possível”, segundo nota emitida. No entanto, não há previsão definida para reabertura total da maternidade. O caso expôs novamente a necessidade de investimentos estruturais em prédios históricos que seguem ativos na saúde pública do Rio Grande do Norte.


Especialistas defendem que a situação evidencia a importância de planos de contingência para unidades hospitalares antigas, especialmente em áreas que exigem funcionamento ininterrupto. A retomada completa das atividades, segundo técnicos consultados pela SESAP, depende não apenas da correção da falha elétrica, mas da verificação de todos os circuitos e da realização de testes em ambientes críticos.


Enquanto isso, pacientes continuam sendo encaminhadas para unidades da rede estadual conforme a evolução da demanda e a capacidade de absorção dos serviços.

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