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Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária que afetou 3 milhões

Foto do escritor: Redação
Redação
há 11 minutos
2 min de leitura
Presidente do Paraguai Santiago Peña anuncia renúncia após crise bancária
Santiago Peña apresentou renúncia em meio ao processo de impeachment após intervenção no Ueno Bank, instituição com cerca de 3 milhões de clientes; Câmara rejeitou a saída e aprovou o avanço do julgamento político.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à crise envolvendo o Ueno Bank, banco digital cuja intervenção deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. A decisão ocorreu enquanto o Congresso analisava um pedido de impeachment, que ganhou força após aliados do próprio governo passarem a apoiar a iniciativa. Peña foi acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador da instituição até março de 2025.


Apesar do anúncio, a Câmara dos Deputados rejeitou a renúncia e aprovou o avanço do processo de impeachment, encaminhando a questão ao Senado. A decisão mantém o desfecho político e institucional do caso em aberto.


O caso envolve o Ueno Bank, que teve suas operações interrompidas após o Banco Central do Paraguai identificar problemas financeiros e insuficiência de capital para cumprir as exigências legais de solvência.


A instituição, ligada ao Grupo Vázquez, administrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos de entidades previdenciárias do Paraguai.


A situação ganhou dimensão política porque Peña tinha ligação empresarial com o grupo controlador do banco. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses e aponta suspeitas relacionadas à administração de recursos públicos e à fiscalização da instituição financeira. As acusações são objeto de investigação e ainda não representam comprovação de responsabilidade criminal.


O pedido de impeachment foi apresentado inicialmente por 35 deputados. A iniciativa ganhou força depois que lideranças do Partido Colorado, legenda de Peña, retiraram o apoio ao presidente.



Renúncia e investigação


Em mensagem divulgada nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que decidiu apresentar sua renúncia pensando na estabilidade do Paraguai, na paz social e na preservação das instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população e defendeu a devolução dos recursos aos clientes afetados pela crise bancária.


A crise provocou ainda a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central, a pedido de Peña. O caso também resultou na detenção de dirigentes ligados ao banco e na apresentação de acusações formais contra 27 pessoas pela Procuradoria paraguaia.

Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça e defendeu que os clientes afetados tenham prioridade na recuperação do dinheiro.


O fechamento do Ueno Bank provocou preocupação entre os correntistas e colocou em discussão a fiscalização do sistema financeiro, a proteção dos depósitos e a relação entre instituições privadas e recursos públicos.


Com a continuidade do processo de impeachment, o Congresso deverá definir os próximos passos da crise política. O vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional em caso de vacância definitiva da Presidência.


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