Projeto Acolher na Farmácia transforma farmácias em rede de apoio a mulheres vítimas de violência no Brasil
- Redação
- 9 de abr.
- 3 min de leitura

Iniciativa criada por quatro profissionais que usaram a capilaridade das farmácias para ampliar o acesso de mulheres à ajuda segura e fortalecer a rede de proteção no país.
O projeto Acolher na Farmácia surge como uma resposta direta a um dos principais desafios no enfrentamento à violência doméstica no Brasil: o acesso seguro, imediato e discreto à ajuda. A iniciativa foi criada por quatro profissionais que usaram a capilaridade das farmácias como estratégia para transformar esses espaços, presentes em praticamente todos os bairros do país, em pontos de acolhimento para mulheres em situação de violência.
Com mais de 124 mil unidades em funcionamento, as farmácias são um dos estabelecimentos de saúde mais acessíveis à população. A proposta do Acolher na Farmácia é utilizar essa presença estratégica para ampliar a rede de proteção, oferecendo escuta qualificada, orientação e encaminhamento seguro, além de fortalecer iniciativas já existentes, como a campanha do sinal vermelho.
O projeto foi idealizado pelas farmacêuticas Jacira Elvira, Elaine Pereira e Alcimara Camila, em parceria com a psicóloga Milena Paiva, e já nasce com potencial de expansão nacional ao integrar saúde, assistência social e direitos humanos. A iniciativa também prevê a expansão para universidades, com o objetivo de formar novos profissionais preparados para atuar no acolhimento e na identificação de situações de violência.
“A farmácia já é um espaço de confiança. O que estamos fazendo com o Acolher na Farmácia é estruturar esse ambiente para que ele também seja um ponto seguro de escuta e orientação”, afirma Jacira Elvira.
A violência doméstica é reconhecida como um grave problema de saúde pública no Brasil. Ainda assim, muitas mulheres enfrentam dificuldades para buscar ajuda por medo, dependência emocional ou financeira, além do desconhecimento sobre os canais de apoio. Nesse contexto, o projeto aposta em um modelo acessível, silencioso e estratégico.
“O grande diferencial do Acolher na Farmácia é respeitar o tempo da mulher. Não se trata de obrigar a denúncia, mas de garantir que ela saiba que não está sozinha e que existem caminhos seguros”, destaca a psicóloga Milena Paiva.
O funcionamento do projeto é baseado em protocolos bem definidos. As farmácias participantes recebem capacitação para identificar sinais de violência, realizar acolhimento humanizado e orientar sobre os canais oficiais de apoio. Todo o atendimento deve ocorrer com sigilo, respeito e sem julgamentos.
“A atuação é muito clara: acolher, orientar e encaminhar. A farmácia não substitui as autoridades, não participa de investigações e não envolve seus profissionais em processos ou depoimentos. Seu papel é oferecer apoio e informação para que a mulher, com segurança e autonomia, possa decidir buscar ajuda”, reforça Elaine Pereira.
Além do atendimento, o Acolher na Farmácia também prevê a disseminação de informação dentro dos estabelecimentos, com materiais educativos e sinalizações discretas que possibilitam pedidos de ajuda, fortalecendo campanhas como o sinal vermelho e ampliando o acesso à informação.
Para Alcimara Camila, o impacto vai além do atendimento individual. “Estamos falando de criar uma consciência coletiva. Quando a farmácia se posiciona, ela fortalece toda a rede de proteção e leva informação para dentro das comunidades”, afirma.
Com foco em impacto social, o projeto Acolher na Farmácia busca ampliar os pontos de apoio em todo o Brasil, aumentar o número de encaminhamentos seguros e fortalecer a atuação integrada entre profissionais de saúde e serviços públicos.
Na prática, a proposta é simples e poderosa. Fazer com que cada farmácia participante represente um local seguro, muitas vezes o primeiro, para mulheres que precisam de ajuda, oferecendo acolhimento e encorajamento para que, no momento certo, elas possam buscar os canais oficiais de proteção.
Serviço:
O que é
O Acolher na Farmácia é um projeto social que transforma farmácias em pontos de acolhimento, orientação e encaminhamento para mulheres em situação de violência doméstica.
Por que foi criado
A iniciativa nasce da necessidade de ampliar o acesso à ajuda de forma segura e discreta, utilizando a presença das farmácias em todo o país como ponte entre a vítima e a rede de proteção, além de fortalecer campanhas como o sinal vermelho.
Para que serve
O projeto permite identificar sinais de violência, oferecer escuta qualificada, orientar sobre os canais oficiais e encorajar a vítima, de forma segura e no seu tempo, a buscar a rede de proteção e, se desejar, realizar a denúncia.
Como buscar ajuda
📞 Disque 180, Central de Atendimento à Mulher
🚓 190, Emergência policial









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