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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 04

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    Candice Galvão
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura
Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 04

Não importa o que os outros vão pensar

Por Candice Galvão – Psicóloga Clínica


Grande parte das escolhas que fazemos não nasce do desejo, mas do medo. Medo de desapontar, de parecer inadequada, de ser julgada, de não pertencer. E assim, muitas vidas vão sendo organizadas a partir de uma pergunta silenciosa e constante: “O que os outros vão pensar?”


Essa pergunta, quando se torna guia, não protege aprisiona.


Desde cedo aprendemos que aceitação é sinônimo de adaptação. Ajustar o tom, moderar o desejo, conter o incômodo, silenciar discordâncias. Fomos socializados para caber. O problema é que, aos poucos, deixamos de perceber quando a adaptação deixa de ser saudável e passa a ser abandono de si. Quando a vida começa a ser vivida mais como resposta ao olhar do outro do que como expressão do próprio sentido. Viver sob o olhar constante da aprovação externa é viver em estado de vigilância emocional.  


O custo psicológico de agradar sempre

Na clínica, esse funcionamento aparece de muitas formas:

  • dificuldade em dizer “não”,

  • culpa ao estabelecer limites,

  • ansiedade antes de se posicionar,

  • exaustão emocional sem causa aparente,

  • sensação de estar sempre devendo algo,

  • perda gradual da própria referência interna.


Quando tudo passa pelo filtro da opinião alheia, o sujeito se afasta de si. E esse afastamento cobra um preço: ansiedade, angústia difusa, vazio, adoecimento emocional.


Quando dizemos “os outros”, raramente estamos falando de pessoas concretas. Na maioria das vezes, falamos de vozes internalizadas:

  • expectativas familiares,

  • normas culturais,

  • modelos de sucesso,

  • padrões de comportamento,

  • •deais de aceitação.


Essas vozes não gritam, elas orientam silenciosamente. E quanto menos consciência temos delas, mais determinam nossas escolhas.


Dizer que “não importa o que os outros vão pensar” não significa agir com indiferença ou falta de ética. Significa reconhecer que a vida não pode ser conduzida pelo medo da desaprovação. Importar-se com o outro é diferente de se submeter ao olhar do outro. Escutar é diferente de obedecer. Considerar é diferente de se anular. Maturidade emocional é conseguir sustentar escolhas mesmo quando elas não recebem aplausos. 


Há um ponto do desenvolvimento emocional em que algo muda:

o sujeito começa a se perguntar menos “o que vão pensar?” e mais “o que isso faz comigo?”. Esse deslocamento é fundamental. Ele marca o início de uma vida mais autoral, mais alinhada, mais possível. Nem sempre será confortável. Mas será mais honesto.


Viver exige posicionamento. E todo posicionamento implica risco: de desagradar, de frustrar expectativas, de perder certas validações. Mas não há saúde emocional quando o custo de pertencer é perder a si mesma. Talvez o verdadeiro amadurecimento seja este: aceitar que nem todos vão entender, concordar ou aprovar, e ainda assim escolher permanecer fiel ao que faz sentido internamente.


Porque, no fim, o peso de viver uma vida que não é sua sempre será maior do que o desconforto de ser quem você é.

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