Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 12
- Candice Galvão

- 9 de abr.
- 1 min de leitura

Estar acompanhada não é o mesmo que se sentir conectada
Por Candice Galvão – Psicóloga
Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão solitários. Há pessoas cercadas de contatos, compromissos e conversas, mas que ainda assim sentem um vazio difícil de explicar. Uma solidão que não aparece nas fotos nem nas redes sociais.
Essa solidão não vem necessariamente da falta de companhia, mas da ausência de vínculos onde seja possível existir com autenticidade. Estar com alguém não garante sentir-se visto, compreendido ou acolhido.
Muitas relações se mantêm na superfície: trocas rápidas, falas automáticas, pouca escuta real. Com o tempo, a pessoa pode começar a duvidar se há espaço para seus sentimentos mais complexos, suas fragilidades ou seus silêncios.
Na clínica, essa solidão costuma aparecer acompanhada de frases como: “Tenho pessoas, mas não tenho com quem falar de verdade”. Isso revela uma carência de conexão emocional, não de presença física.
Vínculos saudáveis exigem disponibilidade afetiva, não apenas convivência. Exigem escuta, curiosidade pelo outro e coragem para sair do papel que se espera desempenhar.
Reconhecer essa solidão é o primeiro passo para transformá-la. Porque não se trata de ter mais pessoas por perto, mas de construir relações onde seja possível ser inteiro.









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