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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 14

  • Foto do escritor: Candice Galvão
    Candice Galvão
  • 22 de abr.
  • 2 min de leitura
Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 14

Quando a vida continua… e a ausência também

Por Candice Galvão – Psicóloga


Histórias recentes reacendem uma verdade difícil: o luto não interrompe a vida, ele nos atravessa enquanto tudo segue acontecendo.


Nos últimos dias, duas histórias tocaram o país de formas diferentes, mas atravessadas por um mesmo sentimento: o luto. De um lado, Ana Paula Renault vivendo um momento de conquista e visibilidade, enquanto enfrenta, ao mesmo tempo, a dor da perda do pai. De outro, Tadeu Schmidt, que compartilhou publicamente o luto pela morte do irmão, Oscar Schmidt, um nome que atravessou gerações. E talvez o que mais nos atravesse nessas histórias seja isso: a vida não espera a gente terminar de sentir para continuar acontecendo.


Eu falo disso também de um lugar muito pessoal. Eu sei o que é perder um pai. E quem já viveu essa experiência entende que o luto não é só a dor da ausência. É a estranheza do mundo seguir igual… quando, por dentro, nada parece estar no mesmo lugar.


Na perspectiva sócio-histórica cultural, entendemos que somos construídos nas relações. E quando perdemos alguém que amamos, não perdemos apenas uma pessoa, somos atravessados na forma como existimos, sentimos e nos reconhecemos no mundo.


Uma das partes mais difíceis do luto é justamente essa convivência entre dois tempos: o tempo de fora, que continua, e o tempo de dentro, que pede pausa. As pessoas seguem, as demandas continuam, a vida chama. Mas o luto não é apressado. Ele pede espaço. Ele pede silêncio. Ele pede tempo para reorganizar o que foi rompido.


Mas existe algo que, aos poucos, também vai se tornando mais evidente: o que foi vivido não se perde. As conversas, os gestos, as memórias, os aprendizados, tudo isso permanece de alguma forma. Não como antes. Mas presente. Na forma como lembramos. Na forma como seguimos. Na forma como aquele vínculo continua existindo dentro de nós.


Com o tempo, e cada pessoa tem o seu, o luto vai deixando de ser só ruptura e passa a ser também integração. A ausência continua, mas o vínculo encontra outros lugares para existir. E talvez uma das coisas mais importantes de dizer, principalmente para quem está vivendo essa dor , é: você não precisa “superar”. Você precisa encontrar um jeito possível de continuar.


Se você perdeu alguém importante, especialmente um pai ou uma mãe, talvez entenda esse lugar difícil de nomear. E talvez te faça sentido lembrar disso: a ausência dói, mas o que foi construído na relação continua sendo parte de você.


Ele também é um processo de reorganização psíquica. Se você está atravessando uma perda, talvez seja importante lembrar:

não existe forma certa de sentir,

não existe tempo ideal,

não existe medida para a dor.


Mas existe algo que permanece: o que foi vivido entre vocês continua fazendo parte de quem você é.

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