Lipedema: mulheres lideram busca por exercícios físicos, mas para 20 milhões esforços não trarão resultados esperados
- Redação
- há 2 dias
- 4 min de leitura

Pontos-chave:
79% das mulheres brasileiras afirmam praticar atividades físicas;
Mais de 20 milhões de brasileiras têm dificuldade de eliminar gordura por conta de lipedema;
Problema resiste a mudanças de hábitos como dieta e prática de atividades físicas;
Tratamento efetivo do lipedema é multidisciplinar e pode envolver cirurgia.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que 79% das mulheres entrevistadas afirmam praticar exercícios físicos, sendo elas maioria em 8 das 15 atividades mais populares no Brasil e representando 60% do aumento no número de brasileiros que aderiram a rotinas de exercícios nos últimos anos segundo o relatório Women and Sports do Ibope Repucom.
Para uma parcela dessas mulheres, a dedicação a atividades físicas não terá o efeito esperado já que o acúmulo de gordura pode estar relacionado ao lipedema, problema que já atinge mais de 20 milhões de brasileiras.
Para elas, inchaço persistente nas pernas, dor ao toque e sensação de peso, especialmente nos membros inferiores, são sintomas recorrentes e amplamente confundidos como resultado da obesidade. No entanto, mesmo com dietas e exercícios rigorosos, essas mulheres relatam dificuldade de eliminar gordura nas regiões afetadas. “O que muitas ainda desconhecem é que esses sinais podem indicar exatamente a presença do lipedema, uma doença crônica, de origem hormonal e genética, que afeta exclusivamente mulheres e não responde a mudanças de estilo de vida”, alerta o cirurgião plástico Alexandre Dantas, embaixador do BAPS Lipedema Day, ação de conscientização que acontece de forma simultânea em Natal e outras 17 cidades no dia 13 de junho.
Importância de falar sobre lipedema
Ainda que o lipedema tenha ganhado as redes
sociais nos últimos anos, o especialista explica que ainda há um longo trabalho de conscientização a ser feito. Afinal, gradativamente a qualidade de vida das que convivem com o problema sem informação e o diagnóstico correto segue se deteriorando enquanto elas passam a evitar alguns tipos de roupa, abandonam passeios que envolvem piscinas, lagos, rios e praias, e sentem o impacto na saúde mental.
De fato, estudos internacionais estimam que o lipedema atinja entre 10% e 18% das mulheres em todo o mundo. No Brasil, entidades que se dedicam ao problema como a Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS) concluem que a grande maioria das pacientes ainda leva mais de uma década para receber o diagnóstico correto - tempo em que se acumulam tratamentos ineficazes, impacto emocional severo e progressão da doença.
“O lipedema não tem cura, mas tem tratamento que envolve desde abordagens conservadoras como drenagem linfática e compressão, até, em estágios mais avançados, procedimentos cirúrgicos como a lipoaspiração especializada”, explica o cirurgião plástico Eduardo Ferro, Diretor-Presidente da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS). Segundo o especialista, apenas essas abordagens podem oferecer alívio significativo dos sintomas e melhora expressiva da qualidade de vida.
Lipedema e a importância da informação
A disseminação da informação acerca do lipedema tem se mostrado fundamental para ajudar pacientes a conseguirem diagnósticos mais rápidos e mudanças de hábito de vida que amenizam o problema como alimentação, massagens e atividades físicas.
Ainda assim, sem o acesso aos especialistas certos, o tratamento preciso pode demorar. “O acúmulo desproporcional de gordura em regiões das pernas, quadril e braços pode ser doloroso e vai demandar uma abordagem que combine cirurgião plástico, fisioterapeuta, dermatologista, cirurgião vascular, todos alinhados para trazer alívio e devolver a qualidade de vida à paciente”, argumenta Alexandre Dantas, cirurgião membro da BAPS e embaixador do Lipedema Day.
Acima de tudo, os especialistas salientam que o tratamento é personalizado e único para cada tipo de paciente. É isso que torna a abordagem multiprofissional necessária, envolvendo ainda endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos. Por um lado, o tratamento clínico é fundamental para desinflamar o corpo, melhorar o metabolismo e reduzir os sintomas. Por outro, a cirurgia - quando indicada - entra como um complemento, com foco funcional, e não apenas estético. Já nos casos moderados a graves, quando há persistência de dor ou comprometimento funcional, a cirurgia redutora de lipedema torna-se uma necessidade médica.
Reforço na conscientização
Depois de reunir cirurgiões plásticos e gestores de todo o Brasil em Goiânia para debater o cenário atual e o futuro do turismo de saúde nacional e sua posição no mercado mundial, a BAPS se prepara para a 3ª edição do Lipedema Day. No dia 13 de junho, a associação promove simultaneamente em 18 cidades brasileiras ações gratuitas de conscientização, orientação e esclarecimento sobre a doença, reunindo cirurgiões plásticos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas para levar informação qualificada a quem mais precisa.
A iniciativa coordenada pela BAPS integra uma agenda maior que se volta tanto para a valorização da saúde da mulher como para ações para consolidar a cirurgia plástica e a medicina de qualidade como um todo no Brasil. O objetivo é claro: quanto mais cedo o lipedema for identificado, maiores são as chances de controle da progressão e de preservação da mobilidade, autoestima e bem-estar das pacientes.
Lipedema Day
O que: Evento presencial com atividade física, parte instrutiva e confraternização.
Quando: 13 de junho, sábado
Onde: Natal e outras 17 cidades brasileiras
Quanto: gratuito
Realização: BAPS (Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética)
Site: https://baps.global/
Instagram: https://www.instagram.com/baps.aesthetic/
Facebook: https://www.facebook.com/aesthetic.baps/
LinkedIn: www.linkedin.com/in/baps









Comentários