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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 05

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    Candice Galvão
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura
Foto: Pinterest
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A coragem de amar de novo… será que sei amar sem me perder no processo?


Por Candice Galvão – Psicóloga Clínica


Amar de novo não é um gesto simples. Ele carrega memória, cicatriz, expectativa e medo.

Depois de experiências que deixaram marcas, amar novamente exige mais do que abertura, exige consciência. A pergunta que muitas pessoas não fazem é justamente a mais importante: sei amar sem me abandonar? Porque amar, quando não passa pela maturidade emocional, pode facilmente se confundir com adaptação excessiva, silenciamento e perda de si.


Muitos aprenderam, desde cedo, que amar é se ajustar. Ceder demais. Entender sempre.

Sustentar vínculos a qualquer custo. Esse aprendizado não nasce do afeto, mas da necessidade de pertencimento. E, quando não é revisto, transforma o amor em um espaço de esforço contínuo, onde um cuida e o outro ocupa. Amar assim cansa. E, com o tempo, machuca.


Depois de perdas, decepções ou relações que consumiram mais do que nutriram, é comum levantar defesas. O coração fica atento, o corpo se antecipa, a mente vigia.O medo não é de amar, é de voltar a se perder. Por isso, amar de novo exige mais do que entrega: exige elaboração do que ficou, compreensão dos próprios padrões e responsabilidade afetiva consigo mesmo.


Um amor saudável não pede que você diminua sua voz, seus desejos ou seus limites. Não exige vigilância constante, nem esforço para ser aceito. Amar sem se perder é possível quando:

  • há espaço para individualidade,

  • o diálogo não ameaça o vínculo,

  • os limites são respeitados,

  • o cuidado é recíproco,

  • e o amor não se constrói à custa da própria saúde emocional.

Quando amar começa a exigir o apagamento de si, já não é amor, é sobrevivência relacional.


A psicoterapia oferece um espaço seguro para revisitar a própria história afetiva. É ali que compreendemos:

  • por que escolhemos quem escolhemos,

  • de onde vêm nossos medos e excessos,

  • como aprendemos a amar,

  • e o que precisamos transformar para não repetir.

Amar de novo não é esquecer o passado, mas aprender com ele. E esse aprendizado não acontece sozinho.


A coragem de amar de novo não está em se jogar sem medo.Está em se manter inteiro no processo. Talvez o maior gesto de amor seja este: não negociar a própria dignidade para caber em um vínculo.


Amar de novo é possível.

Mas só vale a pena quando não exige que você desapareça para que o outro permaneça.

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