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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 13

  • Foto do escritor: Candice Galvão
    Candice Galvão
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Amizade feminina: vínculos que acolhem, sustentam e transformam

Por Candice Galvão


Em meio à rotina intensa e às múltiplas exigências que atravessam a vida das mulheres, a amizade feminina se revela como um espaço essencial de cuidado emocional. Mais do que encontros, esses vínculos representam pausas possíveis, lugares onde é permitido ser, sem a necessidade constante de dar conta de tudo.


Na perspectiva sócio-histórica cultural, entendemos que nos constituímos nas relações. E é justamente nesse encontro com outras mulheres que muitas encontram reconhecimento, pertencimento e sentido para suas próprias experiências. A amizade, nesse contexto, não é apenas afeto: é também construção de identidade e sustentação subjetiva.


Ao longo da vida, essas relações acompanham mudanças, atravessam fases e se reinventam. Nem sempre estão presentes da mesma forma, mas quando verdadeiras, permanecem como um elo silencioso que sustenta, mesmo à distância.


São vínculos feitos de escuta, confiança e acolhimento. Espaços onde a mulher pode compartilhar fragilidades sem julgamento, rir de si mesma, dividir o peso da rotina e, muitas vezes, reorganizar o que sente.


Historicamente, mulheres foram ensinadas a se adaptar, a cuidar e a sustentar. Mas também aprenderam, entre si, a criar redes de apoio e sobrevivência emocional. É nesse encontro que algo potente acontece: uma mulher se reconhece na outra, e, nesse processo, se fortalece.


Do ponto de vista psicológico, essas relações funcionam como reguladores emocionais importantes, ajudando a reduzir o estresse, a sensação de isolamento e a sobrecarga. Mas talvez o mais significativo seja o que não se mede: a sensação de não estar sozinha.


Cultivar amizades, nesse sentido, é também um ato de cuidado consigo mesma.


Em uma sociedade que valoriza desempenho e produtividade, manter vínculos afetivos é, de certa forma, um gesto de resistência, à solidão, ao esgotamento e à ideia de que precisamos dar conta de tudo sozinhas.


Porque, no fim, amizades femininas não são apenas sobre estar juntas.

São sobre caminhar de mãos dadas, mesmo quando a vida segue em ritmos diferentes.

Entre mulheres, a amizade não é apenas encontro, é um lugar onde a gente se reconhece, se sustenta e, muitas vezes, se reconstrói.

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