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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 02

  • Foto do escritor: Candice Galvão
    Candice Galvão
  • 17 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O brilho que ninguém pode tirar de você 


Há um brilho que nasce dentro de cada pessoa. Não é feito de conquistas, de aparência ou de elogios. É feito de identidade, limite, história e consciência. É o brilho que ninguém pode tirar de você, mas que, muitas vezes, você mesmo pode apagar ao tentar caber onde não deveria.



Nas relações pessoais, esse fenômeno se repete com força. Amores, amizades, família, convivências longas ou breves: todas elas têm potencial de nutrir ou corroer nossa luz interna. E, ao longo do tempo, percebemos que o verdadeiro risco nunca foi o outro nos apagar.


O risco é abrirmos mão de nós mesmos para sermos aceitos.


Nas relações, poucas coisas são tão comuns quanto:

• ajustar o comportamento para ser amado,

• silenciar necessidades para evitar conflitos,

• aceitar pequenas desvalorizações em nome da paz,

• engolir frustrações para não parecer “difícil”,

• ou carregar dores que não são nossas para manter vínculos.


Às vezes, fazemos isso em nome da harmonia. Outras vezes, porque achamos que é assim que o amor funciona. E, aos poucos, vamos deslocando nossa própria luz para brilhar no ritmo do outro.


Só que essa troca é desigual. Uma relação que exige a renúncia da própria identidade não é afeto, é desgaste emocional. Nas relações, o brilho nunca é roubado. Ele é cedido. Quando confundimos amor com adaptação


Muitas pessoas aprenderam a amar com esforço: se moldando, se diminuindo, se calando. Esse roteiro se perpetua porque parece funcionar; afinal, o vínculo continua.


Mas a pergunta é: a que custo?


Quando trocamos autenticidade por aceitação, criamos um contrato silencioso onde o outro se acostuma com uma versão reduzida de quem somos. E toda vez que tentamos voltar ao tamanho original, surge o conflito: “Você mudou”, “ficou egoísta”, “não era assim”. Não é mudança. É retorno. É reconstrução do brilho.


Relações saudáveis não competem com sua luz, caminham ao lado dela. 


Uma relação que fortalece seu brilho tem algumas características fundamentais:

• existe espaço para dizer “não”;

• limites são respeitados;

• responsabilidades emocionais são compartilhadas;

• erros são discutidos sem vergonha;

• individualidade é reconhecida como parte do vínculo;

• e a conexão é construída na verdade, não na idealização.

Ninguém deveria precisar apagar partes de si para receber amor.


Por que permitimos que nosso brilho diminua? Isso acontece por muitas razões, entre elas:

• medo de abandono,

• baixa autoestima,

• história familiar marcada por silêncio,

• traumas de desvalorização,

• modelos relacionais onde amor e autocancelamento caminham juntos,

• ou por não termos aprendido a sustentar nossa própria luz.

A boa notícia é que brilho interno pode ser reacendido — e relações saudáveis ajudam nesse processo.


Como recuperar sua luz quando as relações a abalaram: Reencontrar o próprio brilho não é um gesto de força, mas de consciência.


Alguns movimentos possíveis:

1. Revisitar limites:

Entender onde você se perdeu para poder se reencontrar.


2. Questionar narrativas antigas:

Muitas vezes, aceitamos dores que não começamos.


3. Reaprender a se posicionar:

A autenticidade devolve luz onde a submissão apagou.


4. Reavaliar vínculos:

Nem toda relação merece permanência, algumas merecem despedida.


5. Reconectar-se com o que te faz vivo:

Brilho é movimento. Não sobrevive em ambientes onde você para de ser você.


O brilho interno nunca desaparece de verdade. Ele pode ser sufocado, desviado, confundido, mas não é destruído. Relações podem mexer na nossa autoestima, mas não na nossa essência. E, quando entendemos isso, recuperamos uma liberdade emocional poderosa: ninguém pode tirar o brilho que nasce da verdade de quem você é. O que pode apagá-lo é apenas a sua disposição de abandonar a si mesmo.


Nas relações pessoais, proteger sua luz não é egoísmo, é o cuidado mais íntimo que você pode ter consigo.

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