Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 08
- Candice Galvão

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Quando o corpo segue, mas a mente já pediu pausa
Por Candice Galvão – Psicóloga
Há um tipo de cansaço que não melhora com uma boa noite de sono, um fim de semana livre ou até com férias. É um esgotamento mais silencioso, difícil de explicar, mas fácil de sentir. O corpo até obedece, cumpre tarefas, mantém a rotina, mas por dentro algo já pediu pausa há tempos.
Esse cansaço não é apenas físico. Ele nasce do acúmulo de responsabilidades emocionais, da necessidade constante de dar conta, de sustentar expectativas alheias, de não falhar, de não decepcionar. É o desgaste de quem passa muito tempo funcionando no modo automático e pouco tempo se escutando.
Na clínica, é comum ouvir frases como: “Não sei do que estou cansada, só sei que estou”. E isso faz sentido. Nem todo cansaço vem do excesso de atividades; alguns vêm da ausência de espaços de elaboração emocional. Quando sentimentos são engolidos, conflitos adiados e limites ultrapassados repetidamente, o corpo passa a falar aquilo que a pessoa não conseguiu nomear.
Descansar é importante, mas não é suficiente quando o esgotamento é emocional. Recuperar-se exige reconhecer o que está pesando, o que está sendo sustentado sozinho e o que já não faz mais sentido manter.
Talvez o convite não seja apenas parar, mas olhar com mais honestidade para a própria rotina emocional. Porque seguir em frente cansada não é sinal de força, muitas vezes, é sinal de que algo precisa ser revisto.











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