Ostras cruas podem transmitir bactérias letais e vírus, alertam especialistas
- Redação
- 15 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Casos fatais recentes nos Estados Unidos reforçam a importância do consumo consciente e do preparo adequado dos mariscos

O consumo de ostras cruas pode representar um sério risco à saúde, segundo especialistas em segurança alimentar. Embora sejam consideradas iguarias por muitos, essas delícias do mar podem abrigar bactérias e vírus potencialmente letais, especialmente quando ingeridas in natura.
Nos últimos meses, os estados da Flórida e da Louisiana, nos Estados Unidos, registraram nove mortes associadas à bactéria Vibrio vulnificus — cinco na Flórida e quatro na Louisiana. A infecção provocada pela bactéria, chamada vibriose, pode se manifestar tanto por contato de feridas abertas com água do mar contaminada quanto pelo consumo de mariscos crus ou mal cozidos, como as ostras. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) indicam que cerca de 1 em cada 5 casos de vibriose resulta em morte.
De acordo com Benjamin Chapman, chefe do Departamento de Ciências Agrícolas e Humanas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, “as ostras cruas estão entre os alimentos mais perigosos que consumimos regularmente”.
Riscos invisíveis à mesa
As bactérias Vibrio parahaemolyticus e Vibrio vulnificus são as principais vilãs associadas às ostras cruas. Elas podem causar sintomas como náusea, vômito, diarreia e febre, e, em casos mais graves, levar à sepse ou infecções em feridas, com risco de amputações ou até mesmo morte. Estima-se que os EUA registrem, por ano, cerca de 80 mil casos de vibriose, muitos deles ligados ao consumo de ostras e outros mariscos.
Além das bactérias, as ostras cruas também podem ser vetor de hepatite A e norovírus, que provocam surtos gastrointestinais severos. Esses riscos não são visíveis a olho nu e não alteram o sabor ou a aparência do alimento.
Segurança alimentar exige mais que aparência
A FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA, estabelece protocolos rígidos para coleta, manuseio e transporte das ostras. No entanto, os especialistas reforçam que nenhum controle garante 100% de segurança no consumo do alimento cru.
“O cozimento é a forma mais segura de eliminar microrganismos nocivos”, afirma Keith Schneider, professor de ciência alimentar da Universidade da Flórida. Ele ressalta que o calor “inativa essas bactérias com muita facilidade”, tornando o alimento seguro para o consumo.
Apesar de técnicas como o processamento de alta pressão com água fria, utilizadas por algumas empresas para reduzir a carga bacteriana, a professora Razieh Farzad, também da Universidade da Flórida, alerta que a prática ainda é pouco comum e que o consumidor muitas vezes não tem acesso a essa informação.
Vulneráveis devem evitar ostras cruas
Grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, imunossuprimidos, pessoas com doenças hepáticas ou diabetes, devem evitar completamente o consumo de ostras cruas. “Desde que as pessoas tenham as informações e estejam cientes dos riscos das escolhas que estão fazendo, tudo bem. Mas para determinados grupos, os riscos superam qualquer benefício”, alerta Chapman.
Ele também critica o mito popular de que ostras só devem ser consumidas em meses com a letra “R” (como janeiro, fevereiro e março). “Isso é uma regra que não se sustenta. Com a globalização e importação de ostras de diversas regiões, essa lógica caiu por terra”, afirmou.
Além disso, o aumento da temperatura dos oceanos em decorrência das mudanças climáticas tem contribuído para a proliferação da bactéria Vibrio, tornando o risco ainda mais presente.
Ostras têm valor nutricional, mas devem ser bem preparadas
Apesar dos alertas, as ostras também são reconhecidas por seus valores nutricionais. De acordo com a nutricionista Alison Kane, do Hospital Geral de Massachusetts, elas são fontes ricas de zinco, ferro, cobre e vitamina B12 — sendo o alimento com maior concentração de zinco por porção.
Segundo a especialista, métodos como grelhar ou cozinhar no vapor preservam os nutrientes e evitam os riscos associados ao consumo cru. “São métodos suaves que não introduzem gorduras ou sódio adicionais e mantêm a densidade nutricional”, explicou.
Informação é a chave
O consenso entre os especialistas é claro: embora as ostras sejam apreciadas por muitos e ofereçam benefícios nutricionais importantes, informação e preparo adequado são essenciais para o consumo seguro.
Consumir ostras cruas pode ser uma escolha pessoal, mas não é isenta de riscos — especialmente em um cenário onde fatores ambientais e sanitários influenciam diretamente a segurança alimentar.











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