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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 07

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    Candice Galvão
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Coluna “Sessão de Terapia“ por Candice Galvão no Blog José Patrício | 07

Quando o amor deixa de ser risco e vira escolha

Por Candice Galvão – Psicóloga Clínica


Depois de reconhecer os medos, revisar as perdas e compreender os modos como aprendemos a amar, chega um ponto silencioso, e decisivo. Não é o momento da paixão intensa nem da entrega total. É o momento da escolha consciente. Amar de novo, depois de atravessamentos importantes, não nasce do impulso. Nasce da integração.


Muitas pessoas acreditam que amar de novo significa “dar outra chance ao amor”. Mas, clinicamente, o que mais vemos é a tentativa de dar outra chance ao mesmo roteiro, apenas com personagens diferentes. A terceira travessia acontece quando percebemos que:

•não precisamos mais provar valor para sermos amados,

•não confundimos intensidade com profundidade,

•não nos anulamos para sustentar vínculos,

•não chamamos de amor aquilo que é medo de ficar só.


Aqui, amar deixa de ser repetição inconsciente e passa a ser construção.


Depois de elaborar perdas e revisitar a própria história, algo muda de lugar dentro de nós.

O amor deixa de ser um campo de ameaça e passa a ser um espaço de encontro. Esse novo amar:

•respeita limites,

•tolera diferenças,

•sustenta diálogo,

•não exige sacrifícios silenciosos,

•não pede que alguém desapareça para que o vínculo exista.


É um amor menos performático e mais verdadeiro. Menos urgente e mais presente.


Um dos maiores medos de quem pensa em amar de novo é: “E se eu me perder outra vez?” Mas perder-se só acontece quando o amor exige abandono de si. Quando nos afastamos da própria história, das próprias necessidades e da própria voz. Amar de forma madura é permanecer em relação sem sair de si. É saber onde termina o outro e onde começamos nós. É escolher estar junto, não por carência, mas por sentido.


Amar de novo não significa baixar a guarda por completo. Significa abrir espaço com consciência. Confiar, aqui, não é negar riscos, é reconhecer sinais, escutar o corpo, respeitar o tempo e honrar os próprios limites. A coragem que sustenta esse amor não é a do salto no escuro, mas a da presença atenta.


Talvez o amor mais bonito não seja o primeiro, nem o mais intenso, nem o mais idealizado.

Talvez seja aquele que chega depois que aprendemos a ficar, a sair, a dizer não e a dizer sim com verdade. Amar de novo, depois de tanta elaboração, é menos sobre se entregar totalmente e mais sobre se compartilhar.

Inteira.

Presente.

Consciente.

E isso, por si só, já é um ato profundo de coragem.

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